FINAL DE SEMANA EM PETRÓPOLIS
SE PREPARANDO
Sábado, 19 de outubro, 8:00 am, mesmo cansado por ter ido dormir lá pelas 2:30 am, acordei com disposição e pressa, pois havia combinado com o Adriano de nos encontrarmos às 8:30am na Av. Lobo Jr., a bolsa já estava arrumada e foi só o tempo de tomar um banho, tomar o café da manhã, conferir se estava tudo na bolsa e sair.
Cheguei na Av. Lobo Jr quase que ao mesmo tempo que o Adriano, o ônibus veio rápido, na viagem fui lhe explicando os detalhes da viagem, pois não tive tempo durante a semana de lhe explicar, basicamente sobre detalhes dos meus amigos que iam conosco que ele não conhecia.
RODOVIÁRIA NOVO RIO
Rodrigo (Simptar), me ligou quando estávamos saindo do ônibus, já em frente à rodoviária, informando que só faltava o Daniel (Gambit).
Simptar marcou o ponto de encontro na rodoviária em frente ao caixa eletrônico do banco Itaú, sendo que o mesmo ficava exatamente atrás de uma enorme banca de jornal, enfim, um lugar super escondido, que deu um puta trabalho para localizarmos, mas enfim, logo o avistamos, junto com Leandro (Kevlar) e Francisco (Anvil).
Gambit estava atrasado, segundo Simptar, ele estaria preso num engarrafamento no Grajaú, e já passavam das 9:00 am, horário combinado.
Depois das apresentações o papo furado e a conversa sarcástica a respeito de tudo e de todos, inclusive sobre nomes que não devem ser ditos, (G****), acerca de um longo e duradouro desentendimento entre este nome e o Anvil.
Adriano logo se enturmou com os meninos e o grupo estava completo, faltando 20 minutos para às 10:00 am, Gambit chega e, finalmente partimos para comprar os bilhetes e embarcar para Petrópolis.
A BOLSINHA DE MÃO
Estávamos em uma roda e no centro estavam todas as nossas bagagens, alguém perguntou de quem era uma bolsa que ali estava, e Anvil respondeu que era dele, a mesma pessoa perguntou de quem era uma outra bolsa de alça, pequena, Anvil respondeu: "Essa é a minha bolsinha de mão" com um tom de voz afeminado, demonstrando delicadeza e, ao mesmo tempo, irritação por estar sendo questionado, talvez, por estar levando duas bolsas.
A forma como Anvil respondeu a pergunta arrancou altas gargalhadas pois nem se tratava exatamente de uma bolsinha de mão! Era uma bolsa de alça para ombro, que ele levaria como "bagagem de mão", e não colocaria no bagageiro do ônibus.
O fato que é que este episódio da bolsinha de mão rendeu a viagem inteira, e toda vez que nos referíamos à alguma bolsinha, este detalhe da "bolsinha di maun" era sempre relembrado com bastante humor.
PETRÓPOLIS
Chegamos por volta de 11:30 am, contávamos que o André (Shanti), estivesse por lá, mas não estava, imediatamente ligamos para sua casa, onde fomos informados que ele já estava a caminho. "Espero que ele more aqui do lado da Rodoviária, senão ele estará em sérios apuros!" - alguém que eu não me lembro, disse.
Aproveitando o tempo para um café e um cigarro, acompanhado de conversa furada, bolsinhas de mão, e sarcasmos acerca dos transeuntes da funesta rodoviária de Petrópolis.
Shanti finalmente deu às caras por volta de 12:20, recebido com abraços e bastante humor e fotografias.
HOTEL HAITI
Fomos conduzidos, por Shanti, até o hotel, que ficava do outro lado da rua, enfrente à pavorosa rodoviária, um hotel chamando Haiti, bem... é né!
Entramos no hotel por um portão de garagem (esta era a entrada principal do hotel), demos imediatamente de cara com uma placa da Embratur indicando que aquele hotel está classificado como 1 (uma) estrela.
Não havia saguão, era apenas uma recepção simples, com balcão de madeira e banco para 2 pessoas sentarem apenas, ao lado do balcão era a escada que levava para os andares com os quartos e o refeitório.
Antes de nos hospedarmos, pedimos para ver os quartos, ficaríamos em três quartos duplos, subimos as escadas e finalmente chegamos ao 3o andar, onde ficava os quartos onde ficaríamos, o hotel era limpo, o chão era de taco (alguns soltos), mas tudo era limpo, inclusive as paredes.
No quarto minúsculo havia um guarda roupa na parte extrema esquerda de quem adentra pela porta, um armário de duas portas, duas camas de solteiro separadas por um criado-mudo ao centro, sendo que uma cama encostava no armário e a outra encostava na parede do banheiro.
A entrada do banheiro ficava espremida com uma mesinha pequena, abaixo de uma igualmente pequena janela, que dava vista para a área de serviços, onde haviam várias máquinas de lavar roupa, que produziam um barulho bastante desagradável.
O banheiro era minúsculo, a privada ficava bem a frente da porta de entrada, e o lavatório ficava dentro do boxe, de cortina de plástico, se o sabonete caísse no chão, não havia como pagá-lo sem bater com a cabeça no lavatório e a bunda na outra parede.
Imediatamente fui ver os meninos, eles tinham adorado o hotel! Pois era próximo à rodoviária e, sobretudo, barato! Bem, ficamos! Eu dividindo o quarto com o Adriano, Anvil dividindo o quarto com Simptar e Kevlar dividindo o quarto com Gambit.
Descemos para dar entrada no hotel, fazer as fichas etc..., subimos rapidamente, tomamos um banho, mais papo furado, troca de roupa, esqueci o desodorante, ninguém trouxe sabonete, e liga pra portaria para pedir sabonete e vamos almoçar!
PASSEANDO POR PETRÓPOLIS
Primeiramente fomos procurar um restaurante, pois já passavam de 1:00 pm e estávamos famintos. Almoçamos em um self service, cuja picanha parecia carne de 2a, estava dura e tinha gosto de qualquer coisa, menos picanha.
Vegetarianos comeram saladas e quem optou por beber coca-cola, como eu, teve que ouvir o sermão daqueles que dizem que coca-cola serve para limpar motor de caminhão, pisos de mármore e ralos, além de ser uma bebida deliciosa. Eu, como não faço questão de chegar até os 100 anos de idade, pretendo morrer bem antes, continuo não dispensando uma boa coca cola, o meu cigarro e um bom drink. Cada um se diverte como quer!
O ponto alto no restaurante foi a garçonete puxando assunto comigo, estampando um sorriso e um olhar provocantes, inutilmente, pois me fiz de desapercebido, jogando a conversa bem a fora. Coitada, mal sabia ela que aquele rapaz de cavanhaque que estava na minha frente não era só meu amigo, como aparentemente, mas, sim, meu namorado.
CASA DE SANTOS DUMONT
Dotado com a máquina fotográfica, eu procurava os ângulos mais inusitados, dispensando fotos com as pessoas, apenas fotografando o ambiente, o "background" de Petrópolis, claro, algumas fotos foram tiradas com todo o pessoal, mas a maioria eu dediquei exclusivamente aos jardins, arvores e animais que me cruzaram.
A idéia principal era chegar ao Museu Imperial, mas Shanti acabou nos conduzindo até a malfadada Casa de Santos Dumont, tudo bem, é legal lá, mas ninguém queria ir lá, pois já fora visitada por todos, e enfim... o que queríamos, basicamente eu, Anvil e Adriano, era chegar ao Museu Imperial, mas até que foi divertida a casa de Santos Dumont, 6 máquinas fotográficas tirando fotos alternadas de todos na escada, provocando um "congestionamento" de turistas que entravam e saíam da casa.
PALÁCIO DE CRISTAL
Saindo da casa de Santos Dumont, fomos até o Palácio de Cristal, mais fotografias durante o caminho, combinadas com muitos risos e comentários acerca da sexualidade dos petropolitanos. Fica-se abismado com a quantidade de gays que são vistos por lá, perdendo apenas para Copacabana.
Tiramos várias fotos no Palácio de Cristal, aproveitei o reflexo do sol nos chafarizes, produzindo um belíssimo arco-íris, não pude deixar de registrar tamanha beleza.
Mas o ponto alto do Palácio de Cristal foi o "show" que Anvil deu, ao avistar um professor, acho eu, com um rapaz, passeado pelos jardins do palácio. Num lapso à la Leão Lobo, Anvil imediatamente saca sua agenda de sua "bolsinha de mão", e liga para seus colegas no Rio, dando a noticia em primeira mão e ao vivo, para que a fofoca imediatamente se espalhe pelos corredores da universidade.
Na saída do Palácio, avistei dois cães vira-latas dormindo sob a sombra de uma árvore, eu achei a cena tão bela, eles dormiam um sobre o outro, em uma paz e segurança contagiantes, mas, ao avistarem-me com a câmera para fotografá-los, o escarcéu foi tamanho, que acabaram por acordar os animais e interromperam a paz e a tranqüilidade dos mesmos, estragando a minha fotografia.
CATEDRAL PETROPOLITANA
Ainda a caminho do Museu Imperial, encontramos à Catedral, em estilo gótico, meio eclético, seja lá como for isso, mas não era totalmente gótico, pois só havia uma torre, no entanto toda a decoração era em estilo gótico.
Mais fotografias e apenas os ateus: Eu e Anvil, entramos na igreja para contemplar tamanha suntuosidade e beleza.
MUSEU IMPERIAL
Finalmente chegamos ao Museu Imperial, onde eu tinha ido apenas quando ainda tinha 10 anos de idade e mal conhecia a historia do Brasil. Certamente o Museu era o passeio mais esperado do dia para mim. R$ 5,00 a entrada e apenas eu, Anvil e Adriano entramos, enquanto os meninos ficaram passeando pelos jardins do palácio, no mínimo falando muita bobagem e rindo continuamente.
Anvil estava eufórico, querendo ver a coroa que, segundo ele, por direito, deveria ser herdada por sua família, eis que uma tia é filha de não sei quem, que deu pra não sei quem, que... enfim... a história é longa, mas ta na cara que é lorota! Não passa de mais uma lenda familiar, destas que passam de avô para neto.
O grande barato do museu foi eu, Adriano e Anvil ficarmos zuando as coisas extremamente bregas que ali se encontram, claro, com o devido respeito, e também ao ver a nossa imagem em espelhos de cristal, que não distorcem a imagem. Eu sou mais bonito nos espelhos comuns... :P
Na saída do museu, pausa pra descanso no jardim, logo encontramos o restante dos meninos e fomos visitar, a parte externa. Com direito a uma performance de Anvil, imitando Evita Perón, na sacada dos fundos do palácio.
Terminado o passeio, voltamos ao hotel.
A BEATIFICAÇÃO DE SIMPTAR!
No hotel fazíamos rodízio, hora estávamos em um quarto, hora estávamos em outro, mas sempre com muita sacanagem, muita brincadeira e gozações dos mais variados tipos, sendo que o destaque para todas as gozações foi, sem dúvida nenhuma o Simptar, que, a todo instante fazia comentários engraçadíssimos sobre os mais variados assuntos, desde a inesquecível "bolsinha de mão" até sobre aquele nome que nunca deve ser dito!
Explicando a origem de seu nick, que foi o nome atribuído a Deus, num dos livros de Clarice Lispector, (ou Cecília Meirelles?), whatever.
Depois de dizer que seu nick significava DEUS, não havia mais dúvidas! Simptar era a nossa SANTIDADE!
A ZONA NOS QUARTOS
Ao chegarmos no hotel, imediatamente fomos descansar, depois a zona começou quando estávamos mais ou menos descansados.
Verificamos detalhes interessantes no quarto, como um buraco bem na gaveta do criado mudo, no qual não sabíamos para que servia, imagina você abrir uma gaveta e nela ter um buraco oval! Pois é! Sem sentido! O quarto fedia muito a mofo, o incenso reinou junto com o Simptar!
Dentre as estórias e gozações contadas, uma das que renderam foi uma sobre a promoção da MTV com o Rick Martin, em que uma fã dele foi premiada em receber o ídolo em casa. Então Rick foi de surpresa na casa da menina e se escondeu no armário de seu quarto, que estava cheio de câmeras escondidas, prontas para filmar a chegada da menina e o encontro surpresa como astro. Sendo que a menina, ao chegar em seu quarto, levou pasta de amendoim e chamou seu cachorrinho, em um ato inocente, passou a pasta de amendoim na vagina e fez com que seu cachorrinho a lambesse em Rede Nacional, pela MTV... imaginem o escândalo! A MTV cortou a transmissão antes que Rick Martin saísse do quarto e cantasse: Uêeeepa!!!!, surpreendido e surpreendendo a menina, pega em flagrante! Terrível isso, mas sempre que lembro, morro de rir!
Interessante também, que no quarto havia uma bíblia, versão reduzida do novo testamento, então, não pudemos deixar de zoar!!! Eu e Anvil ficamos fazendo citações do apocalipse e tirando altos sarros dos apóstolos e dos maconheiros que escreveram o maior devaneio ecumênico da humanidade!
Nos preparamos para sair, iríamos a uma boite gay chamada Channel 5, a única de Petrópolis.
Continua....