Domingo, Dezembro 8


MEMENTO (Amnésia)

Um filme intrigante, difícil e complicando!
Esses sao os tres adjetivos principais do filme, que, a princípio, é narrado de trás para frente! Exatamente, o filme começa pelo fim e termina no inicio, a dica já é dada na primeira cena, em que aparece uma bala voltando para um revólver e manchas de sangue saindo da parede e voltando para o corpo da vítima, (daí já sai a dica de que o filme é revertido), fato fundamental para que se compreenda a narrativa, pois, se vc nao sacar isso, vc vai perder grande parte da trama. Claro, chega um momento em que vc percebe que realmente os fatos estao sendo narrados do fim para o início, o fim de uma cena é o início de uma outra. É de um roteiro BRILHANTE que não deixa o menor furo, uma verdadeira OBRA DE ARTE, fiquei encantado!
A primeira impressão que tive aos 20 minutos de filme foi que eu realmente precisava assisti-lo novamente, pois a trama é complicadíssima e vc deve estar ATENTO a cada detalhe, a cada lance! se for ao banheiro dê pause! não perca nada! 1 segundo perdido pode ser fatal!
Um detalhe interessante é quanto ao malfadado título "AMNESIA", eis que o personagem principal NÃO sofre de amnésia, ele simplesmente sofreu um golpe no início do filme (final da estória), e este golpe afetou parte do cérebro dele que o impede de lembrar fatos recentes, ou seja, a memória dele é volatil e ele se esquece de absolutamente TUDO o que ve em poucos minutos, lembrando-se apenas de todos os fatos de sua vida até o momentod o golpe, depois disso, não existe mais lembranças para ele, nao há mais presente, e ele tenta conviver com isso anotando todos os fatos relevantes, fotografando lugares, e tatuando tudo o que for de plena importancia em seu proprio corpo, como o seu objetivo e até mesmo aquilo que o faz lembrar de sua condição (perda de memória).
O cara sempre acorda sem saber onde está e precisa logo olhar para seu corpo ou se olhar no espelho para ter noção novamente das coisas!
Enfim, é uma viagem alucinante e quando vc termina de ver este filme seu cérebro estará à mil!!!
Recomendo este filme a pessoas INTELIGENTES e que esperam mais do que enlatados estadunidenses, é um bom filme desde que vc entenda sua proposta e tenha mente dinâmica, capaz de captar com facilidade sua narrativa, que é REALMENTE COMPLICADA!

Sábado, Dezembro 7

Bem, seguindo com o ódio mortal que eu criei sobre este maldito filme chamado "A soma de todos os medos" que eu repito, náo é um filme, é um ERRO!
resolvi postar aqui uma crítica publicada por Andre Lux no site neste site
Segue:

A SOMA DE TODOS OS MEDOS (The Sum of All Fears, EUA, 2002)
Gênero: Aventura
Duração: 118 min.
Estúdio: Paramount
Elenco: Ben Affleck, Morgan Freeman, Jamie Harrold, Jason Antoon, Amita Balla, Alan Bates, Norman Mikeal Berketa, Terence Bowman
Compositor: Jerry Goldsmith
Roteirista: Tom Clancy, Paul Attanasio, Daniel Pyne
Diretor: Phil Alden Robinson

A SOMA DE TODOS OS MEDOS é, de longe, um dos piores filmes que tive o desprazer de assistir nos últimos anos. Difícil dizer o que é pior nessa fita que, além de absurda e ofensiva, é incrivelmente enfadonha. O lamentável Ben Affleck herda o papel que já foi de Alec Baldwin e Harrison Ford e encarna Jack Ryan, agente da CIA que não passa de um mero burocrata que, sabe-se lá porque, vê-se a todo momento envolvido em situações capazes de provocar o colapso do mundo capitalista (sinônimo da destruição do mundo, segundo os autores). Mas o personagem é tão raso e estúpido que fica impossível sequer cogitarmos levá-lo a sério, ainda mais depois de percebermos que todas as suas sacadas e conselhos geniais vêm sempre de suposições e adivinhações (algumas dignas de paranormais como Xico Xavier, de tão absurdas).

Esse personagem infame já foi visto no cinema antes em A CAÇADA AO OUTUBRO VERMELHO, JOGOS PATRIÓTICOS e PERIGO REAL E IMEDIATO, todos baseados em livros do senhor Tom Clancy, que certamente escreve sob contrato com a CIA (Central de Inteligência Americana). Só mesmo sendo muito ingênuo ou mal intencionado para querer nos fazer acreditar que seus agentes estão espalhados pelo mundo inteiro para "garantir a paz e a liberdade" em nosso planeta Terra, como afirma o diretor da CIA interpretado por Morgan Freeman ao discutir o futuro da Chechênia com o presidente da Rússia. Qualquer pessoa mais bem informada ou com um mínimo de bom senso sabe que os EUA são o país que mais lucra com a guerra e o menos interessado em ver democracias florescendo - ainda mais em países do dito "terceiro mundo". Democracias verdadeiras (não de brinquedo como temos aqui) não são tão fáceis de serem controladas e manipuladas em favor do capital estrangeiro. E não eram os tais "Jack Ryans" que vinham ao Brasil (e tantos outros países) ensinar técnicas de tortura aos nossos militares na época da ditadura ou que atuaram diretamente na derrubada de governos eleitos pelo povo em favor de fascistas e criminosos financiados pelos EUA? Pois é, essa história ninguém conta...

Portanto, filmes como esse A SOMA DE TODOS OS MEDOS só podem ser encarados com lixo ofensivo que não servem nem como comédia, já que sua mensagem a favor dos "xerifes do mundo" é tão torpe e execrável que só causa nojo. E o que mais incomoda é ver essa propaganda subliminar infame disfarçada em uma trama que pretende ser de suspense e ação, mas que só consegue provocar sono e descrença já que o roteiro é tão cheio de buracos (como colocar russos e americanos em pé de guerra, quando hoje são apenas "bons camaradas"), as situações de conflito tão forçadas, os diálogos tão piegas e recheados de bravatas ufanistas (chegam até a tocar o hino dos EUA quase inteiramente em uma cena!), que é impossível sequer entender o que está acontecendo na tela.

O mais grotesco é ver um discurso claramente a favor da tolerância entre as nações e contra o imperialismo dos EUA saindo da boca do vilão do filme (interpretado por um Alan Bates incrivelmente afetado e embonecado), um nazista que quer destruir ambos Rússia e EUA para que sua ideologia possa reinar absoluta no mundo! Ou seja: na visão dos autores qualquer um que não concorde com as políticas expansionistas de Washington é obviamente um seguidor de Adolf Hitler e, portanto, pode ser exterminado com um cachorro sem dono.

Triste é ver um diretor como Phill Alden Robinson, que já foi capaz de realizar filmes sensíveis como CAMPO DOS SONHOS e subversivos como QUEBRA DE SIGILO, a serviço de uma mensagem tão asquerosa. Tecnicamente a produção é até correta e eficiente, mas foi claramente feita de forma burocrática e sonolenta, onde nem mesmo a trilha musical de Jerry Goldsmith tem chance de brilhar, mesmo porque o filme é dramaticamente nulo e chato ao extremo. No final chegam ao cúmulo de detonar uma bomba atômica em uma cidade dos EUA só para tentar dar seqüência à trama e criar mais situações de tensão! Mas é impossível não rir ao ver os governos estadunidense e russo comunicando-se por meio de um tipo de e-mail em um momento crucial, quando era muito mais fácil simplesmente dar um telefonema (sem dizer que o presidente da Rússia usa um intérprete em uma cena e logo em seguida sai falando inglês fluente, mas no final volta a não entender o idioma) ou ao observarmos o patético Ryan perambulando pelas ruas da cidade em chamas sem sequer ser afetado pela radiação e usando telefones celulares (todos sabem que após uma explosão atômica esse tipo de aparelho deixa de funcionar imediatamente).

Convenhamos, filmes como A SOMA DE TODOS OS MEDOS contribuem ainda mais para promover justamente aquilo que supostamente é tão assustador: a intolerância e o radicalismo, tudo isso disfarçado de luta pela liberdade e pela paz. Quer dizer: alguém atacar os EUA é sempre um "ato de terrorismo", já eles mandarem bomba por aí é somente um "ato de paz". Depois os estadunidesnes vêm tentar passar por pobres vítimas quando terroristas atacam seu pais, sendo que são eles mesmos que ensinam com riqueza de detalhes não só como montar uma bomba atômica, mas como levá-la para dentro de seu território. Absurdo? Depois dos atentados ao World Trade Center não parece, afinal todo mundo sabe que quem semeia vento colhe tempestade.

Cotação: abaixo de zero

André Lux

Quinta-feira, Dezembro 5

A SOMA DE TODOS OS MEDOS



Sem dúvidas o pior filme com o Morgan Freeman que eu já assiti.
Aluguei-o mais por causa de sua participação no filme, eis que parto do pressuposto de que filmes com este MONSTRO de hollywood é sempre bom, mas este me decepcionou bastante.
A história é super confusa e burlesca, a ação fica em último lugar, muito embora haja bastantes elogios na capa do DVD, no filme mesmo não há ação quase nenhuma, o filme é um saco. Horrível, uma das piores decepções que já tive.
Colocaram um papel de 3ª categoria para o Morgan Freeman enquanto o insosso do Ben Affleck decepcionou mais ainda como protagonista.
Quero passar longe de onde estiverem reproduzindo este filme!
Que nojo!

Quarta-feira, Dezembro 4


HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN

Estou terminando de ler este livro, que é o terceiro da serie Harry Potter.
Bem, não preciso nem comentar que é imperativo ler ou assistir aos dois primeiros livros/filmes, A Pedra Filosofal e a Camara Secreta, respectivamente, para que se tenha pleno entendimento da trama deste terceiro livro.
Uma coisa eu posso comentar com toda a convicção, o primeiro é bom, o segundo é ótimo, mas o terceiro é EXCELENTE! A estória contada no livro é tão empolgante que eu não consigo largar este livrinho de 350 páginas! É maravilhoso! Cheio de reviravoltas, ação o tempo inteiro, e sem o Rony Weasley entrando em pânico a todo instante!!!
Sem contar que a participação de Perebas (o rato do Rony) é extraordinária! Um livro que dá náuseas, arrepios, sustos, enfim, é uma salada de surpresas a cada página! Com direito a "bicho-papão" e tudo!
É imperdível mesmo!!!
Não vejo a hora de estrear logo a versão deste para o cinema, pois certamente irá requerer uma dinâmica muito mais interessante e envolvente que os dois últimos!
Eu sou Fã de Harry Potter, Hermione Granger & Albus Dumbledore!!!

Terça-feira, Dezembro 3


A MÁQUINA DO TEMPO (2002)

Fiquei encantado com o filme, não tem grandes pretensões e nao é nenhuma obra prima, chega a ser quase uma "seção da tarde".
É um filme de linguagem simples, mas muito bem feito, com efeitos especiais fantásticos. É uma puta viagem!
A fotografia também nao deixa nada a desejar, super detalhistas, principalmente na época inicial do filme (final do século XIX), quanto no futuro proximo (2030/2037), e, também no futuro MUITO distante, quando o personagem avança 800.000 anos no futuro!
O interessante neste avanço é que o filme mostra todas as transformaçoes do planeta Terra durante esse tempo, por exemplo: A lua se espatifando sobre a Terra em 2037, seguida pelo fim da civilizaçao, ondas de fumaça e escuridao cobrindo a terra, seguidas de uma grande era glacial que cobriu todo o globo, o derretimento das geleiras, o a formaçao de novos oceanos e de nova geografia no planeta, com muitos abismos e precipícios, as primeiras mudas de plantas crescendo, transformando-se em enormes florestas, as primeiras formas de vida surgindo, até chegar nos Eloi, 800.000 anos após, que conservam todas as ruínas da nossa civilização atual!
Enfim, é uma BAITA duma viagem extraordinária, que nos leva além de nossa imaginação, curti MUITO este filme!
A trilha sonora também é EXCELENTE, com um coralzinho muito fofo que canta na língua dos Eloi, formado só por crianças... Pode até nao ser muito criativa a trilha sonora, mas é bastante legal e adequada ao filme (eu baixei todas as músicas, particularmente eu ADOREI, mas tecnicamente, não podemos chamar de "grande inovação" como Howard Shore fez em O Senhor dos Anéis, principalmente com a Enya).
Eu recomendo este filme!

Segunda-feira, Dezembro 2

Este final de semana eu dei um pulo em São Paulo (um pulo mesmo), e conferi esta boite show de bola, a Level Club.



Seguinte, foi aniversário do Luka, ele me insistiu muito que eu fosse comemorar seu niver lá em sampa, na Level, eu fiz um esforço e fui com um amigo maneirissimo!
Saí do Rio no sabado, peguei o primeiro onibus pra sampa, que partiu às 17:20, chegando britanicamente às 22:30, no terminal do Tietê. Chegando lá, deu tempo para um passeio na Av.Paulista e depois encontrei, finalmente, com o luka por lá, que nos levou também na Consolação, que é o point gay lá de sampa, por último fomos à Level, entramos na boite por volta de 1 hora da manhã.
O que mais me impressionou na boite foi, primeiro, o tamanho, é ENORME, cabem duas Le Boys folgadas só na pista de dança, tendo ainda segundo andar, que dá para a pista de dança, dotado de vários sofás e um bar super show.
A música segue o mesmo estilo das boites daqui, um tanto variado, tocando madonna, dance, sem aqueles bate-estacas irritantes da LeBoy.
A Iluminação é de cair o queixo, diversos canhoes a laser computadorizados, reproduzindo imagens multicoloridas e em movimentos nas paredes, como bebês e múmias dançando, um grupo tocando tambores, enfim, a iluminação da Level é um show a parte.
Há vários shows de Drag's durante a noite, além de Muitos, mas Muitos go go boys... (ousadíssimos).
O que me impressionou bastante também foi a frequencia, a maioria esmagadora eram garotos jovens, bonitos, sem muitos caras bombados (esses eram uma minoria insignificante), a maioria eram caras normais, sem trejeitos, (pintosas também eram raríssimas), muito bonitos e simpáticos, nos receberam super bem, mas sem muita "animação", é o jeito dos paulistas... :P, Ahh também não vi cacuras por lá...
O preço das bebidas no bar é barato, (R$ 2,50 cerveja, R$ 1,50 refrigerante, R$ 5,00 caipirinha, R$ 8,00 marguerita).
O preço da entrada, com flyer, é R$ 15,00 a noite inteira, não há promoção para quem chegua até determinado horario, o preço é único em qquer horario, sem flyer custa R$ 20,00... OBS.: dá pra imprimir o flyer no site da boite.

Entao, foi uma experiencia incrível que eu estou disposto a repeti-la assim que minhas condiçoes financeiras se reestabelecerem, pois este passeio não é barato, mas vale MUITO a pena!

Sábado, Novembro 30

mudei de template
acho que agora ficou melhor... senao, foda-se

Domingo, Novembro 24

Harry Potter e a Câmara Secreta


Eu, como bom fã desse adorável bruxinho, não poderia deixar de indica-lo aqui.
Para quem gosta de filmes do gênero, este filme é IMPERDIVEL, com cenas de ação constantes, sem mais aquela presepada necessária do 1o filme, no qual os personagens precisavam ser apresentados, para que o espectador entenda o papel de cada um deles na trama. Em tese, é FUNDAMENTAL que se assista A Pedra Filosofal antes de assistir a este filme, pois muitos detalhes acerca dos personagens fica omitido neste segundo filme, pois já foi explicado no primeiro filme.
Os efeitos especiais estão melhores, bem como a evolução dos atores mirins, que estão MUITO melhores também neste segundo filme.
Os monstros mitológicos sao mais bem feitos e estão em maior número, aparecendo muito mais vezes neste segundo filme do que no primeiro, que mostrou de forma bem discreta.
Um filme é um banho de efeitos especiais e o visual é deslumbrante.
Adorei e recomendo! Para quem gosta, claro.
FALE COM ELA - Pedro Almodóvar


Maravilhoso o filme, de uma sensibilidade deslumbrante!
Mostra o amor de forma louca, de maneira que poucos puderam imaginar essa forma de amar alguém.
Um filme de arrancar lágrimas e risos.
Fugindo um pouco do estilo já conhecido do Pedro Almodóvar, este filme é discreto nas cores e nos personagens em si, nada de drag queens loucas e de travestis mais ainda, e sem closes nos volumes dos penis dos homens que passam pela rua, enfim, o filme é discreto e com foco na sensibilidade e na loucura humana mesmo.
Interessante também é o curta que ele exibe no meio do filme, chamado "Amante Minguante", com uma cena tosca de um homen entrando literalmente na vagina de sua amada... muito louco e engraçado aquilo, mas é fundamental na trama para que se entenda o enredo do filme... 10 pro Almodóvar!
Brasileirismo em todo instante, começa com uma trilha com nada mais nada menos que uma música de Elis Regina, depois um showzinho "banquinho e violão" com Caetano Veloso, e citaçoes de Tom Jobim e demais nomes da MPB.
filme IMPERDÍVEL.
Filmes que eu vi ultimamente e nao posso deixar de comentar aqui:

LARANJA MECANICA
Clockwork Orange
Stanley Kubrick arrasa com seu visual futurista, inicio do seculo XXI, haja vista que o filme foi rodado em 1971... Nem computador havia na época!
Para muitos este é apenas um filme bizarro, que mostra um adolescente problematico, uma sociedade estúpida, algo que nao existe, é mero fruto da imaginação do autor.
Mas, analisando as entrelinhas do filme, ele mostra o bizarro como futuro, e o adolescente problemático como resultado de um mundo cada vez mais hostil, onde a sociedade será capaz de tudo para acabar com a criminalidade, infrutiferamente. Mostrando até a tentativa de "curar" criminosos por meios de lavagem cerebral, a que o autor foi submetido, transformando-se num ser automato, ou seja, sem o lívre arbítrio de tomar as decisoes que lhe couber, seja dar um murro em um babaca que lhe encha o saco ou até mesmo ouvir sua música predileta, no caso, a 9a sinfonia de Beethoven.
Poucos não sabem, mas o tratamento que este jovem foi submetido no filme já foi utilizado várias vezes na europa e nos EUA, também utilizado para "curar" homossexuais. Enfim, no proprio filme mostra o quão hediondo é esse tratamento, tão quanto um crime igualmente hediondo, estupro, assassinato, tortura, etc... A propria contradição do que seria a "cura", na verdade vira mais um estigma, para, no final, chegar à primitiva conclusão de que certo e errado são conceitos extremamente relativos, paradoxais, à margem do senso comum, onde o bom senso, e senso comum são uma mera ilusão marketeira, mera política!
O filme é uma puta lição de moral.
A fotografia é de encher os olhos e a trama é um tapa na cara de muitos governos e sociedades do mundo atual. Sem dúvida nenhuma uma obra prima,

Quinta-feira, Outubro 31

Interessante é o caos urbano, no meio de pessoas estranhas, muitas vezes me sinto invisível, como se a minha presença pouco importasse a todos os transeuntes. Na verdade, pouco importa mesmo. Imagine agora a Av. Rio Branco ao meio-dia de uma quarta-feira. Imaginou? Então, pense que você é uma daquelas milhares e milhares de pessoas que a todo instante está passando ali, e de repente uma das pessoas que estão passando por perto desaparece! É, eu aposto que você nem perceberia. Agora, e se fosse você que desaparecesse? Pois é, eu sempre acho que sou eu que vou desaparecer, dado à insignificância da minha existência perante esses milhões que estão por aí, indo e vindo, com seus defeitos, virtudes, crenças, preconceitos, caridades, invejas, ambições etc.
Na contramão disso tudo, às vezes, acontece o contrario neste pavoroso dia-a-dia. Sim, às vezes sinto que sou notado e tenho a impressão de que todos estes milhares de transeuntes estão a me observar, como se eu fosse uma ameaça ou talvez, pelo tamanho de minha repugnância. Pode ser também uma doença, quem sabe um princípio de síndrome do pânico, ou até mesmo aquela horrorosa mania que adquirimos de achar que o mundo inteiro conspira contra nós, um pouco de esquizofrenia, quem poderá responder?
Mas, contrariando todas essas situações pavorosas e tão comuns do meu dia-a-dia, tem vezes sou deliciosamente observado, e observo também! Uma doce e excitante observação. De repente, inocentemente um olhar encontra o outro, e uma sensação de nudez explícita invade meu corpo, um arrepio na espinha e um frio na barriga são os primeiros sintomas, claro, o olhar não é desviado até que o caminho atrapalhe, mas depois o coração bate forte, muito forte, e ao mesmo tempo dá uma vontade incrível de sair correndo dali e desaparecer mesmo, ou então ignorar todos os conceitos de conquista e paquera e partir logo para o ataque, como dois bichos selvagens fazendo a mais espetaculosa luxúria, na frente de quem quisesse ver. São emoções que alimentam meu dia-a-dia, renovam minha auto-estima e me faz ter vontade de acordar no dia seguinte e curtir o dia ensolarado, a luz forte ofuscando meus olhos e os olhares. Mesmo os maliciosos e nocivos olhares, o que importa é ser observado.

Terça-feira, Outubro 22

FINAL DE SEMANA EM PETRÓPOLIS

SE PREPARANDO

Sábado, 19 de outubro, 8:00 am, mesmo cansado por ter ido dormir lá pelas 2:30 am, acordei com disposição e pressa, pois havia combinado com o Adriano de nos encontrarmos às 8:30am na Av. Lobo Jr., a bolsa já estava arrumada e foi só o tempo de tomar um banho, tomar o café da manhã, conferir se estava tudo na bolsa e sair.
Cheguei na Av. Lobo Jr quase que ao mesmo tempo que o Adriano, o ônibus veio rápido, na viagem fui lhe explicando os detalhes da viagem, pois não tive tempo durante a semana de lhe explicar, basicamente sobre detalhes dos meus amigos que iam conosco que ele não conhecia.

RODOVIÁRIA NOVO RIO

Rodrigo (Simptar), me ligou quando estávamos saindo do ônibus, já em frente à rodoviária, informando que só faltava o Daniel (Gambit).
Simptar marcou o ponto de encontro na rodoviária em frente ao caixa eletrônico do banco Itaú, sendo que o mesmo ficava exatamente atrás de uma enorme banca de jornal, enfim, um lugar super escondido, que deu um puta trabalho para localizarmos, mas enfim, logo o avistamos, junto com Leandro (Kevlar) e Francisco (Anvil).
Gambit estava atrasado, segundo Simptar, ele estaria preso num engarrafamento no Grajaú, e já passavam das 9:00 am, horário combinado.
Depois das apresentações o papo furado e a conversa sarcástica a respeito de tudo e de todos, inclusive sobre nomes que não devem ser ditos, (G****), acerca de um longo e duradouro desentendimento entre este nome e o Anvil.
Adriano logo se enturmou com os meninos e o grupo estava completo, faltando 20 minutos para às 10:00 am, Gambit chega e, finalmente partimos para comprar os bilhetes e embarcar para Petrópolis.

A BOLSINHA DE MÃO

Estávamos em uma roda e no centro estavam todas as nossas bagagens, alguém perguntou de quem era uma bolsa que ali estava, e Anvil respondeu que era dele, a mesma pessoa perguntou de quem era uma outra bolsa de alça, pequena, Anvil respondeu: "Essa é a minha bolsinha de mão" com um tom de voz afeminado, demonstrando delicadeza e, ao mesmo tempo, irritação por estar sendo questionado, talvez, por estar levando duas bolsas.
A forma como Anvil respondeu a pergunta arrancou altas gargalhadas pois nem se tratava exatamente de uma bolsinha de mão! Era uma bolsa de alça para ombro, que ele levaria como "bagagem de mão", e não colocaria no bagageiro do ônibus.
O fato que é que este episódio da bolsinha de mão rendeu a viagem inteira, e toda vez que nos referíamos à alguma bolsinha, este detalhe da "bolsinha di maun" era sempre relembrado com bastante humor.

PETRÓPOLIS

Chegamos por volta de 11:30 am, contávamos que o André (Shanti), estivesse por lá, mas não estava, imediatamente ligamos para sua casa, onde fomos informados que ele já estava a caminho. "Espero que ele more aqui do lado da Rodoviária, senão ele estará em sérios apuros!" - alguém que eu não me lembro, disse.
Aproveitando o tempo para um café e um cigarro, acompanhado de conversa furada, bolsinhas de mão, e sarcasmos acerca dos transeuntes da funesta rodoviária de Petrópolis.
Shanti finalmente deu às caras por volta de 12:20, recebido com abraços e bastante humor e fotografias.

HOTEL HAITI

Fomos conduzidos, por Shanti, até o hotel, que ficava do outro lado da rua, enfrente à pavorosa rodoviária, um hotel chamando Haiti, bem... é né!
Entramos no hotel por um portão de garagem (esta era a entrada principal do hotel), demos imediatamente de cara com uma placa da Embratur indicando que aquele hotel está classificado como 1 (uma) estrela.
Não havia saguão, era apenas uma recepção simples, com balcão de madeira e banco para 2 pessoas sentarem apenas, ao lado do balcão era a escada que levava para os andares com os quartos e o refeitório.
Antes de nos hospedarmos, pedimos para ver os quartos, ficaríamos em três quartos duplos, subimos as escadas e finalmente chegamos ao 3o andar, onde ficava os quartos onde ficaríamos, o hotel era limpo, o chão era de taco (alguns soltos), mas tudo era limpo, inclusive as paredes.
No quarto minúsculo havia um guarda roupa na parte extrema esquerda de quem adentra pela porta, um armário de duas portas, duas camas de solteiro separadas por um criado-mudo ao centro, sendo que uma cama encostava no armário e a outra encostava na parede do banheiro.
A entrada do banheiro ficava espremida com uma mesinha pequena, abaixo de uma igualmente pequena janela, que dava vista para a área de serviços, onde haviam várias máquinas de lavar roupa, que produziam um barulho bastante desagradável.
O banheiro era minúsculo, a privada ficava bem a frente da porta de entrada, e o lavatório ficava dentro do boxe, de cortina de plástico, se o sabonete caísse no chão, não havia como pagá-lo sem bater com a cabeça no lavatório e a bunda na outra parede.
Imediatamente fui ver os meninos, eles tinham adorado o hotel! Pois era próximo à rodoviária e, sobretudo, barato! Bem, ficamos! Eu dividindo o quarto com o Adriano, Anvil dividindo o quarto com Simptar e Kevlar dividindo o quarto com Gambit.
Descemos para dar entrada no hotel, fazer as fichas etc..., subimos rapidamente, tomamos um banho, mais papo furado, troca de roupa, esqueci o desodorante, ninguém trouxe sabonete, e liga pra portaria para pedir sabonete e vamos almoçar!

PASSEANDO POR PETRÓPOLIS

Primeiramente fomos procurar um restaurante, pois já passavam de 1:00 pm e estávamos famintos. Almoçamos em um self service, cuja picanha parecia carne de 2a, estava dura e tinha gosto de qualquer coisa, menos picanha.
Vegetarianos comeram saladas e quem optou por beber coca-cola, como eu, teve que ouvir o sermão daqueles que dizem que coca-cola serve para limpar motor de caminhão, pisos de mármore e ralos, além de ser uma bebida deliciosa. Eu, como não faço questão de chegar até os 100 anos de idade, pretendo morrer bem antes, continuo não dispensando uma boa coca cola, o meu cigarro e um bom drink. Cada um se diverte como quer!
O ponto alto no restaurante foi a garçonete puxando assunto comigo, estampando um sorriso e um olhar provocantes, inutilmente, pois me fiz de desapercebido, jogando a conversa bem a fora. Coitada, mal sabia ela que aquele rapaz de cavanhaque que estava na minha frente não era só meu amigo, como aparentemente, mas, sim, meu namorado.

CASA DE SANTOS DUMONT

Dotado com a máquina fotográfica, eu procurava os ângulos mais inusitados, dispensando fotos com as pessoas, apenas fotografando o ambiente, o "background" de Petrópolis, claro, algumas fotos foram tiradas com todo o pessoal, mas a maioria eu dediquei exclusivamente aos jardins, arvores e animais que me cruzaram.
A idéia principal era chegar ao Museu Imperial, mas Shanti acabou nos conduzindo até a malfadada Casa de Santos Dumont, tudo bem, é legal lá, mas ninguém queria ir lá, pois já fora visitada por todos, e enfim... o que queríamos, basicamente eu, Anvil e Adriano, era chegar ao Museu Imperial, mas até que foi divertida a casa de Santos Dumont, 6 máquinas fotográficas tirando fotos alternadas de todos na escada, provocando um "congestionamento" de turistas que entravam e saíam da casa.

PALÁCIO DE CRISTAL

Saindo da casa de Santos Dumont, fomos até o Palácio de Cristal, mais fotografias durante o caminho, combinadas com muitos risos e comentários acerca da sexualidade dos petropolitanos. Fica-se abismado com a quantidade de gays que são vistos por lá, perdendo apenas para Copacabana.
Tiramos várias fotos no Palácio de Cristal, aproveitei o reflexo do sol nos chafarizes, produzindo um belíssimo arco-íris, não pude deixar de registrar tamanha beleza.
Mas o ponto alto do Palácio de Cristal foi o "show" que Anvil deu, ao avistar um professor, acho eu, com um rapaz, passeado pelos jardins do palácio. Num lapso à la Leão Lobo, Anvil imediatamente saca sua agenda de sua "bolsinha de mão", e liga para seus colegas no Rio, dando a noticia em primeira mão e ao vivo, para que a fofoca imediatamente se espalhe pelos corredores da universidade.
Na saída do Palácio, avistei dois cães vira-latas dormindo sob a sombra de uma árvore, eu achei a cena tão bela, eles dormiam um sobre o outro, em uma paz e segurança contagiantes, mas, ao avistarem-me com a câmera para fotografá-los, o escarcéu foi tamanho, que acabaram por acordar os animais e interromperam a paz e a tranqüilidade dos mesmos, estragando a minha fotografia.

CATEDRAL PETROPOLITANA

Ainda a caminho do Museu Imperial, encontramos à Catedral, em estilo gótico, meio eclético, seja lá como for isso, mas não era totalmente gótico, pois só havia uma torre, no entanto toda a decoração era em estilo gótico.
Mais fotografias e apenas os ateus: Eu e Anvil, entramos na igreja para contemplar tamanha suntuosidade e beleza.

MUSEU IMPERIAL

Finalmente chegamos ao Museu Imperial, onde eu tinha ido apenas quando ainda tinha 10 anos de idade e mal conhecia a historia do Brasil. Certamente o Museu era o passeio mais esperado do dia para mim. R$ 5,00 a entrada e apenas eu, Anvil e Adriano entramos, enquanto os meninos ficaram passeando pelos jardins do palácio, no mínimo falando muita bobagem e rindo continuamente.

Anvil estava eufórico, querendo ver a coroa que, segundo ele, por direito, deveria ser herdada por sua família, eis que uma tia é filha de não sei quem, que deu pra não sei quem, que... enfim... a história é longa, mas ta na cara que é lorota! Não passa de mais uma lenda familiar, destas que passam de avô para neto.
O grande barato do museu foi eu, Adriano e Anvil ficarmos zuando as coisas extremamente bregas que ali se encontram, claro, com o devido respeito, e também ao ver a nossa imagem em espelhos de cristal, que não distorcem a imagem. Eu sou mais bonito nos espelhos comuns... :P
Na saída do museu, pausa pra descanso no jardim, logo encontramos o restante dos meninos e fomos visitar, a parte externa. Com direito a uma performance de Anvil, imitando Evita Perón, na sacada dos fundos do palácio.
Terminado o passeio, voltamos ao hotel.

A BEATIFICAÇÃO DE SIMPTAR!

No hotel fazíamos rodízio, hora estávamos em um quarto, hora estávamos em outro, mas sempre com muita sacanagem, muita brincadeira e gozações dos mais variados tipos, sendo que o destaque para todas as gozações foi, sem dúvida nenhuma o Simptar, que, a todo instante fazia comentários engraçadíssimos sobre os mais variados assuntos, desde a inesquecível "bolsinha de mão" até sobre aquele nome que nunca deve ser dito!
Explicando a origem de seu nick, que foi o nome atribuído a Deus, num dos livros de Clarice Lispector, (ou Cecília Meirelles?), whatever.
Depois de dizer que seu nick significava DEUS, não havia mais dúvidas! Simptar era a nossa SANTIDADE!

A ZONA NOS QUARTOS

Ao chegarmos no hotel, imediatamente fomos descansar, depois a zona começou quando estávamos mais ou menos descansados.
Verificamos detalhes interessantes no quarto, como um buraco bem na gaveta do criado mudo, no qual não sabíamos para que servia, imagina você abrir uma gaveta e nela ter um buraco oval! Pois é! Sem sentido! O quarto fedia muito a mofo, o incenso reinou junto com o Simptar!
Dentre as estórias e gozações contadas, uma das que renderam foi uma sobre a promoção da MTV com o Rick Martin, em que uma fã dele foi premiada em receber o ídolo em casa. Então Rick foi de surpresa na casa da menina e se escondeu no armário de seu quarto, que estava cheio de câmeras escondidas, prontas para filmar a chegada da menina e o encontro surpresa como astro. Sendo que a menina, ao chegar em seu quarto, levou pasta de amendoim e chamou seu cachorrinho, em um ato inocente, passou a pasta de amendoim na vagina e fez com que seu cachorrinho a lambesse em Rede Nacional, pela MTV... imaginem o escândalo! A MTV cortou a transmissão antes que Rick Martin saísse do quarto e cantasse: Uêeeepa!!!!, surpreendido e surpreendendo a menina, pega em flagrante! Terrível isso, mas sempre que lembro, morro de rir!
Interessante também, que no quarto havia uma bíblia, versão reduzida do novo testamento, então, não pudemos deixar de zoar!!! Eu e Anvil ficamos fazendo citações do apocalipse e tirando altos sarros dos apóstolos e dos maconheiros que escreveram o maior devaneio ecumênico da humanidade!
Nos preparamos para sair, iríamos a uma boite gay chamada Channel 5, a única de Petrópolis.

Continua....
Uma noite e surge a esperança de que os dias a partir de então serão melhores. Dias que já não se agüentam mais, dias sem sentido, dias tolos, rápidos, inúteis. Mas eis que surge a noite, e a madrugada a fora tornam-se aquela criança que acaba de sair do castigo, em busca de brinquedos, carinho e compreensão. Criança levada, claro, brinca com fogo, taca pedra no telhado alheio, acorda os vizinhos. Perigo é uma palavra desconhecida, se sobrevive durante semanas de tédio, como não sobreviver aos poucos e expressivos momentos gloriosos, aqueles em que finalmente pode-se ser a criança que quiser, sem preconceito, sem medo, sem nada a perder? Liberdade, ainda que contada, mas liberdade. Um momento sublime e luminoso, o encontro a si próprio, como velhos conhecidos que há tempos não se vêem, há tempos sem saber quem realmente é(ram), e o que realmente vale a pena ser vivido e, se vale mesmo.

"Maldito círculo vicioso é a vida que nos impuseram! Malditos sois vós com seus narizes arrebitados apontando o topo de vossa decadência! Malditos sois vós que aprisionam pássaros, derrubam seus galhos e secam seus rios! Maldito é o mundo que deixais para nós e para nossos descendentes, que terão de digladiar-se mutuamente, para o vosso deleite!".

Já chega de tantas lutas, não vale à pena travar esta batalha inconsciente contra tudo o que existe e não existe, cujo palco é seu próprio ser. Tudo passará e, quem sabe até um dia estarás sentado ao lado de quem amas, no lugar que amas, com pessoas que amam. Mera esperança noturna, que logo dissoluta-se.

Segunda-feira, Outubro 7

Enjoei de escrever, não sei porquê, mas enjoei.
Ando mais estranho do que nunca ultimamente, tenho até gostado de ir trabalhar, sério! Apesar desta carência absurda que eu sinto as vezes, meu coração tem estado um tanto quanto vazio, isso me incomoda.
Os dias têm passado tão rápido que eu nem sei... mais quantos dias me restam. Tem dias que eu acordo e penso que este será o meu último dia e, mesmo assim, não me importo.
Quero viajar o quanto antes, preciso. Talvez Petrópolis seja o lugar ideal, não é tão quente quanto aqui e as pessoas que me acompanharão são legais e inteligentes, o que até ajuda. Talvez fosse mais interessante se eu fosse com um cara super gostoso que trepasse comigo o dia inteiro, bem, ia ser legal lá, mas não quando eu voltasse, foda-se! Eu faria do mesmo jeito!
Mas são meras idéias e a verdade é que eu estou aqui, feliz, mas entediado também, talvez por isso essa fixação minha em morrer jovem, morrer o quanto antes, pois sempre vi a velhice como um poço de tédio. E eu, no auge dos meus 21 anos, já estou entediado, imagine quando eu chegar aos 50, nem eu me aturaria por muito tempo e não pensaria mais em assassinato, mas em suicídio mesmo, o que, de tudo não deixa de ser um assassinato. Seriam as vozes da minha cabeça lutando uma contra a outra, até que a mais corajosa decide matar a outra, e quem morre sou eu no final, o palco de tantas discussões internas. Discussões bastante loucas e interessantes algumas vezes, outras eróticas (são as minhas prediletas), outras tão moralistas e preconceituosas que me fazem parar e pensar em como eu sou capaz de formular pensamentos tão esdrúxulos, vez que eu me considero um poço de maleabilidade e flexibilidade, segurança e equilíbrio, pura fantasia. A realidade interior é mais dolorosa do que feia, vez que o âmago de tudo isso sou eu mesmo.
E isso não se dá puramente por ociosidade, pois estou sempre fazendo alguma coisa, hora lendo, ora escrevendo, ora assistindo a um filme, ora ouvindo alguma música, ora conversando com alguém ou até mesmo com minhas cachorras, especialmente com a Julie e com a Isabela, que ficam comigo a maior parte do tempo em que eu estou em casa pensando no que eu deveria fazer e não faço, ou naquilo que não deveria fazer, todavia faço. Nada obstante o pouco que faço muitas vezes torna-se astronomicamente grandioso, a considerar a capacidade que considero ter de agir e modificar as coisas.
A questão é simples, eu tenho preguiça.

Quarta-feira, Setembro 25

Este texto que eu colarei em seguida foi extraído do Almanaque Abril 2002.
Num desses devaneios que eu tenho durante à tarde, à toa lá no escritório, estudando sobre autores famosos, encontrei esta maravilha de Giovanni Boccaccio.
Não se trata de uma obra exatamente, na verdade é um trecho da obra Decamerão, na qual eu ainda nao tive oportunidade de ler, quem tiver o livro e quiser me emprestar, aceito ofertas! :)
Francisco, vc vai adorar isso aqui, principalmente por se tratar de pedofilia na Igreja Católica!

Decamerão
Giovanni Boccaccio

(...)
"Rústico despiu-se das poucas vestes que trazia; ficou completamente nu; a jovenzinha fez o mesmo; o eremita ficou de joelhos, como se estivesse pronto para rezar; à frente, ordenou que também ela se colocasse de joelhos. Ficando os dois nessa posição, Rústico sentiu que atingira o clímax de seu desejo, vendo-a tão linda; desse modo, veio-lhe a ressureição da carne. Alibeque contemplou aquela ressurreição; e, maravilhada com o fato, disse:
- Rústico, que é essa coisa que vejo em você, que tanto se ergue para fora, e que eu não possuo?
- Oh! minha filha! Isto é o diabo, do qual lhe falei; e veja você, agora; ele está-me trazendo grande aborrecimento; a tal ponto que não consigo quase tolerá-lo.
A moça, então, exclamou:
- Oh! Deus seja louvado, pois vejo que estou em condições melhores do que você, visto que não tenho diabo.
Rústico comentou:
- Você diz uma verdade; porém você tem outra coisa, que eu não possuo; e você a tem em troca disto.
Perguntou Alibeque:
- E o que é?
A isto explicou Rústico:
- O que tem você é o inferno; e digo-lhe que creio tê-la enviado Deus para mim, aqui, para a salvação de minha alma.
Tão grande aborrecimento me causa esse diabo, mas, se você tiver compaixão de mim, e consentir que eu torne a mandar este diabo ao inferno, você me dará grande consolo, e prestará grande prazer a serviço de Deus; e isto sucederá, se é certo que você veio para este deserto para fazer aquilo que disse que veio fazer.
De boa fé retrucou a jovem:
- Oh! padre meu! Já que tenho o inferno, seja feito assim, quando for de sua vontade.
Disse então Rústico:
- Minha filha, seja você abençoada! Vamos, portanto, colocar o diabo no inferno para que, depois, ele me deixe em sossego."
(...)

Crédito: BOCACCIO, Giovanni. Decamerão. São Paulo, Abril Cultural, 1979, pág. 199
Nao sou muito fã de poesia nao sabe... sempre achei esse negocio de poesia coisa de louco e desocupado. Mas, pensando bem, até que é bonito!
É algo fora do padrão jornalístico no qual nós, que lemos, já estamos tão acostumados. As pessoas, no dia-a-dia, pouco se importam com as palavras que usam dentro daquilo que se está escrevendo.
A correria do cotidiano nos torna cada vez mais práticos, você parou para ler os bilhetes que deixa pendurado na porta da geladeira? Repare, releia-os!
Hoje dei a louca e resolvi tentar escrever uma poesia... mas não só uma simples poesia, que já é difícil pra burros de escrever! mas tentei formar uma estrutura do tipo: "Poesia-de-sete", alguém já ouviu falar? é uma estrutura poética no qual uma estrofe tem 7 versos sendo que com a seguinte estrutura ABCBDDB, entenderam? leiam a poesia que talvez voces entendam... se eu nao estiver errado!
Atenção, se vc é escritor ou entendido do assunto e reparar algum erro nesta formaçao, por favor sinalize-me, pois sou um auto-didata no assunto e esta foi minha primeira tentativa!

Segue:

PASSAGEM

ACORDO MEIO A NEBLINA
ESTREITO VALE ME CERCA
A MORTE A MIM SE APRESENTA
ANSIEDADE DOMINA-ME NA CERTA
MEU CORPO DURO COMO PEDRA
AOS POUCOS, COM MEDO, SE QUEBRA
HESITO, MAS SÓ A MORTE ME RESTA

Rodrigo Vitório

Terça-feira, Setembro 24

METÁFORA

Dias de glória eram aqueles em que eu acordava bem! Magicamente bem, sentindo perfume de flores, admirando a beleza de ter o sol brilhante em meu rosto, podendo ver, entre as sombras das folhas, raios multicoloridos, construindo um imenso mosaico em movimento, um caleidoscópio. Benditos dias, em que o ar entra fino e suave, chegando aos meus pulmões límpido, mostrando-me o quão felizardo sou, por poder contemplar tão magnífica beleza.
Mas há muito não são assim meus dias. De límpido e fino, o ar tornou-se denso e fétido, as flores não mais estão lá, só os espinhos sobraram. A sombra das folhas deu lugar a uma imensa sombra escura e fria, que nasce bem do alto, terminando sobre outra de igual proporção. O mosaico não pode mais ser visto de onde estou, mas apenas de quem está lá do alto, mesmo assim, não tem a mesma beleza, o ruído que ele produz ressoa a nossa poção de violência e indiferença.
Meus dias jamais serão os mesmos, desde que descobri o infeliz que grita pra minha alma o quão vazio tudo tornou-se, contaminando-me terrivelmente por este veneno, que jamais me permitirá sentir novamente a paz.
Rodrigo Vitório

Sexta-feira, Setembro 20

Se existe uma coluna de jornal que eu gosto de ler é a do Artur da Távola, que escreve no caderno D do jornal O Dia, aqui no Rio de Janeiro, toda 3ª, 4ª e 5ª feira.
Podem me olhar com a cara que quiserem, eu nao ligo, o cara é o máximo.
Vou colar aqui a coluna dele de hoje (19/09/2002)
segue:

O AMOR TOTAL

Ouço dois jovens a conversar, querendo 'entender' o amor. E fico a pensar... Difícil sempre, para o ser humano, aceitar o amor que tem. Ele vive carente do que lhe falta. Difícil, igualmente, para a maioria das pessoas, sentir o amor.
Esse amor total, pleno de todos os amores parciais que o constituem. Daí as relações serem um grande arrastar-se de carências até mesmo quando as animam um ou vários (e verdadeiros) amores parciais.
Quem se relaciona através de um amor parcial pode e deve valorizar o que existe de verdadeiro e sólido a partir de sua união. Mas sempre estaria à espera do amor total. Ainda que não venha. Na realidade ou na fantasia (em geral nesta), o amor total viverá como esperança, até mesmo quando se tenha a funda convicção de que ele não existe.
Por causa das circunstâncias da vida, a maior parte das pessoas não tem condições de escolher ou de aguardar o amor total (que pode nunca vir). A questão colocada é profunda, é quem escolher? Quem pode dizer-se capaz de escolher? Quem pode garantir a sua capacidade de não ceder ao ato de ser escolhido ou escolhida?
Só quando a escolha é mútua dá-se (raríssima) possibilidade de felicidade. Em geral, aceita-se ser escolhido ou luta-se por quem se escolhe. Raro é o caso em que não há escolha: há descoberta mútua. Aí o amor pode vir a ser total.
A descoberta mútua prescinde de escolha. Ela cria um mágico território comum de adivinhações. Não é, porem, o habitual. Ou o homem escolhe a mulher na base de apelos variados (sensualidade, segurança ou afetividade) ou a mulher escolhe o homem e consegue conquistá-lo.

Amor não é vitória, é descoberta

Só conquista quem ganha de alguém, quem vence outrem. E amor não é vitória: é descoberta! É funda afinidade, inexplicável! Fulano escolheu. Beltrano deixou-se escolher. Ou vice-versa. Amam-se? Sim, muito!amor verdadeiro, vivido, pleno de afeto e admiração, mas amor parcial.
É menor ou sem sentido esse amor? Não. É grande, profundo, intenso, verdadeiro e já provado, até pela convivência, sempre atroz. Mas se é parcial, sempre deixará angustia e carência, ainda que dentro de um quadro de fidelidade formal. Dentro desta doerá a dor do não vivido, mesmo havendo afeto intenso, respeito, solidariedade, amizade e lealdade. Só o sonho, eterno libertário, voará a cada dia na busca do amor total.
Artur da Távola

Jornal O Dia - 19 de setembro de 2002.
Hamlet
William Shakespeare


(...)
" Hamlet
Ser ou não ser, eis a questão! Que é mais nobre para o espírito: sofrer os dardos e setas de um ultrajante fado¹, ou tomar armas contra um mar de calamidades para pôr-lhes fim, resistindo? Morrer... dormir; nada mais! E com o sono, dizem, terminamos o pesar do coração e os mil naturais conflitos que constituem a herança da carne! Que fim poderia ser mais devotamente desejado? Morrer... dormir! Dormir!... Talvez sonhar! Sim, eis aí a dificuldade! Porque é forçoso que nos detenhamos a considerar que sonhos possam sobrevir, durante o sono da morte, quando nos tenhamos libertado do torvelinho² da vida. Aí está a reflexão que torna uma calamidade a vida assim tão longa! Porque, senão, quem suportaria os ultrajes e desdéns do tempo, a injúria do opressor, a afronta do soberbo, as angústias do amor desprezado, a morosidade da lei, as insolências do poder e as humilhações que o paciente mérito recebe do homem indigno, quando ele próprio pudesse encontrar quietude com um simples estilete? Quem gostaria de suportar tão duras cargas, gemendo e suando sob o peso de uma vida afanosa³, se não fosse o temor de alguma coisa depois da morte, região misteriosa de onde nenhum viajante jamais voltou, confundindo nossa vontade e impelindo-nos a suportar aqueles males que nos afligirem, ao invés de nos atirarmos a outros que desconhecemos? E é assim que a consciência nos transforma em covardes e é assim que o primitivo verdor4 de nossas resoluções se estiola5 na pá da sombra do pensamento e é assim que as empresas de maior alento e importância, com tais reflexões, desviam seu curso e deixam de ter o nome de ação... Agora, silêncio!... A bela Ofélia! Ninfa, em tuas orações, recorda-te de meus pecados!"
(...)


SHAKESPEARE, William. Hamlet. São Paulo, Abril Cultural, 1978, pág. 252

1. Sorte, destino
2. Remoinho, redemoinho; torvelino, torvelim
3. Cheio de afã; trabalhoso, laborioso
4. Fig. Inexperiência da juventude; verdura.
5. P. ext. Definhamento, enfraquecimento, fraqueza

Quinta-feira, Setembro 19

AGORA SIM!!! BLOG NOVO! :))
O PREÇO DA FUTILIDADE

Não sei o que deu em mim hoje, mas acordei de mal com a vida.
Primeiramente eu sou uma pessoa muito gente fina ta!? Ai de quem ousar duvidar disso, pois, custe o que custar, eu provarei, mesmo que precise usar de violência! Sim, isso que eu chamo de ser "gente fina" !
Ai, ai! O que eu vou fazer? Bem, meu chefe de manhã disse que eu era uma bicha safada e incompetente. Até agora estou atônito pensando naquilo, aquele sujeito velho, feio e barrigudo aproxima-se de mim com aquela cara de sonso que a 50km de distancia eu sou capaz de reconhecer - não duvidem do meu faro - me faz um monte de perguntas sem sentido, esperando, claro, que eu dê as respostas que ele quer ouvir, mas como eu sou tinhoso, não pude deixar de agir pelos meus instintos com o intuito de agradar aquele estrupício. Sim, minhas respostas foram sem sentido mesmo, e daí? Eu não entendi nada do que aquela balofa falou! Eu tenho muitas coisas para pensar, eu não tenho culpa se ele acha que a minha vida é estúpida e medíocre igual a dele, que vive apenas para esta firma, eu não sou igual a ele, eu não sou igual a ninguém, eu tenho personalidade, eu tenho carisma, as pessoas me amam, me veneram, me admiram! Por que eu deveria dispensar tempo com aquele gordo nojento? Aff!
Onde eu estava mesmo? Ah! Na briga com a "orca". Enfim, depois de ouvir as minhas respostas tão estúpidas e sem sentido quanto as perguntas dele, a única coisa que aquela monstruosidade biológica disse foi: "Você é uma bicha safada e incompetente". Gente, eu fiquei velha, fiquei passada, foi uó ouvir aquilo. A vontade que eu tive era de dar mil navalhadas na cara dele! Shlep, shlep, shlep! Deixá-lo sangrando no chão, aquela gorda ridícula! No mínimo ele queria me comer! Ou então morre de inveja do meu corpinho esbelto, devidamente esculpida nas mais caras academias da Barra da Tijuca. A minha roupa, sempre das mais caras e com a moda da estação. Não há um bofe que não olhe pra mim na rua! Eu sou maravilhosa! Aonde estava mesmo?
Ah sim! Respondi pra balofa: "O'o'olha aqui ô doutor! Eu posso ser bicha e safada, mas incompetente não ta!? Eu estudei em bons colégios, fiz muitos cursos, li vários livros, estou informado quanto a cotação do dólar, sei que o Fernandinho Beira-mar já está sendo transferido para a Ilha das Cobras - ui -, sei de muitas coisas e não admito que o senhor julgue a minha competência baseado em analises fúteis e superficiais quanto a minha pessoa, lhe garanto que se tivéssemos que passar um dia inteirinho juntos o senhor veria que eu não sou esta pessoa que o senhor está pensando, mas, não entenda isso com uma sugestão, pois eu não conseguiria passar mais do que 1 hora ao seu lado! E é por isso que eu vou embora neste minuto!"
Ah foda-se, estou desempregado, mas isso não é problema. O problema vai ser quando chegarem as contas em casa, bem, fiz tantas compras este mês, que precisaria trabalhar 2 anos sem gastar nada para poder paga-las. Mas quem se importa? O país deve, porque eu não posso dever também? Ah e tenho muit@s amig@as ric@s, que certamente me darão uma forcinha, afinal, amigo não é só pra fazer companhia nas boates, tem que estar juntos nos momentos difíceis, e sei que não me faltarão amigos nesta hora!
Telefone toca
- Alô!
- Oi, sou eu, Flávia!
- Oi minha buceta predileta! Como você ta?
- E aí bicha!? Quais são as news?
- Ahhh mandei a bicha enrustida do meu chefe ir tomar no cu e agora estou desempregada! Uó né?!
- Alooooka, o quê que deu em você bicha? Ta loka? Não ta vendo a recessão aí fora e você mandando chefe ir tomar no cu, vai que ele goste!
- Acho que mandar um homem ir tomar no cu ofende mais do que mandar chupar uma buceta! - ecow - ah eu já estava irritada com ele, foi a gota d'água! - contou toda a história.
- Bicha e agora?
- Agora eu vou ter que me fuder pra arranjar outro emprego né mona? Mas foda-se o que importa é que eu estou na moda e bonita!!! Linda, loira e poderosa!
- Isso ae... você ligou para o Marcos? Ele está te procurando desde ontem.
- Ai meu deus!!! Flavinha gostosinha, te ligo depois ta!!! Um beijinho.
- Tchauzinho.

Puta que pariu, como é que eu fui esquecer de ligar pra bicha?!
Telefone de novo
Ai meu deus, este telefone agora não pára, puta que pariu! Isso irrita, as vezes queria que este telefone sumisse!
- Boa Tarde, por favor o Sr. André Raimundo da Silva.
- É ele mesmo, quem gostaria? - agora com voz forçosamente grossa.
- Aqui é do Setor de Cobrança da Telemar, viemos lhe informar que se o pagamento da fatura de número 0005252, vencida no dia 15 de julho não for paga em 24 horas, sua linha estará sendo cortada e seu nome estará sendo adicionado às listas de serviços de proteção ao crédito. Se a fatura já foi paga, por favor desconsidere.
- Alô, alô?
- Tu, tu, tu, tu...
Nossa, como eles estão sofisticados, a mulher liga, quando eu atendo ela bota uma gravação de alta qualidade e me priva de mandar a vagabunda ir tomar no olho do cu dela, que, no mínimo deve estar mais largo que o das bichas do dark room da Le Boy.
Filha da puta! Agora era só o que me faltava, a conta já venceu há dois meses e eu não tenho um puto pra pagar esta merda! Acho que o diabo deve estar me ouvindo, não posso ficar sem telefone. Imagina só: euzinha sem telefone??? Só com aquela merda daquele celular que há 2 meses também esta sem crédito! Já botaram até apelido nele de Jair de Ogum, pois o bichinho só recebe e quando faz, é cobrando! Aff!
Bem, mas se vão cortar mesmo esta merda e o SPC é inevitável, então está na hora de colocar em prática o velho ditado: "Se o estupro é inevitável, relaxe e goze" Autor desconhecido ou ignorado. É uma lição de vida isso!
- Alô? Marcos?
- Fala bicha! To te caçando desde ontem, por onde você andou viado? Tava presa?
- Ai bicha era só o que me faltava mesmo! Tenho babados fortíssimos pra te contar.
- Ai viado, solta vai... qual é o bafão? Conta tudo.
- Meu chefe me deu coió de manhã, eu fiquei puta e mandei ele tomar no rabo e saí do emprego, estou desempregada.
- Viado? Tu ta loka do teu edi?
- To lokíssima, e ainda mais agora, que a piranha da Telemar já me ligou dizendo que vai cortar meu telefone depois de amanha se eu não pagar a porra da conta que já está vencida há dois meses.
- Bicha? Tu é mó caloteira, porque tu não pagou a merda da conta?
- Ah viado! Tu viu aquela calça da Fiorucci que eu estava 2a feira na boite?
- Vi.
- Então bicha, a calça custou 380 reais, não deu pra pagar a conta, ou era a conta ou a calça. O que você acha que eu escolhi?
- Ah fez bem então viado, a calça é um luuuxo!
- Ah tudo bem que eu comprei no cartão e a fatura só vem mês que vem né, mas foda-se.
- Ué, bicha, mas se tu comprou no cartão o que tu fez com o dinheiro da conta?
- Dinheiro viado? Que dinheiro? Tu já me viu com dinheiro alguma vez?
- Que horror mona, tu ta é louca! hahahahaha
- Ah e você vai ficar fazendo a linha honesta agora? Tu acha que eu não sei que você gasta 200 reais em bebida na boite e está devendo mais de 500 reais pra boca?
- Ah bicha, mas você fumou comigo também ta! E aquele bagulho era um escândalo, comprei lá na Vila Cruzeiro ta, uó aquele lugar! Pra você vê o quanto eu me esforço pra fazer você feliz.
- Ah é... e quando eu fui comprar o pó lá na Vila Vintém, fui sozinha naquele fim de mundo, pensei de morrer naquele lugar horroroso. Mas bem que você adorou o pó né? E custou uma nota também. Ai meu deus, puta que pariu!
- Que foi agora viado?
- Eu to devendo 600 reais pros cara da boca viado? Era pra eu ter pago esta merda semana passada! E agora?
- Ai bicha, puta que pariu, tu ta toda cagada heim? Meu cu pra você mona.
Alguém batendo na porta
- ui! Tem alguém batendo na porta, será que já são os credores?
- Sei lá, vai lá atender viado, beijinhos e te cuida!
- Beijos.

Toc, toc, toc.
- Já vai kierelho!!!
- André?
- Eu mesmo, porque?
- Vem comigo filho da puta!
- Ei! Como assim? Quem é você?
- Sou da VV mane, cadê as 600 pratas? Se tiver, paga logo, senão tu vai ter que resolver com os cara lá do movimento! Tu ta com a grana aí?
- Não, é que, eu fui mandado embora, to desempregado. To todo fudido. Tenho nem o que comer aqui em casa. Ta faltando tudo, por favor entenda.
- É? Ta sem dinheiro é? E essa calça aí? Custou uma nota né? - Vem cá seu filho da puta, tu ta me achando com cara de otário? Tu não sabe com quem você ta se metendo! Anda logo, se não tem dinheiro, passa logo todas as roupas que tu tem aí, vai vai... não faz eu perder tempo caralho.
- Moço, não leva essa aqui não, essa uma amiga minha trouxe lá de Paris, tem um valor sentimental muito grande, por favor.
- Não me chama de moço ô filho da puta, eu sou o "Caçapa!" e pode me passando tudo seu viadinho, não quero saber se é de Paris ou da casa do caralho.
- Hã, caçapa é? Hehehehehe
- Tu ta rindo do quê o filho da puta? Vem comigo anda, tu vai se entender com os malandro do movimento, perdi a paciência contigo seu viado filho da puta!
- Uuuuuuui! Kierelho!!